Portanto, na nossa sociedade, o masculino e o feminino passam a ser opostos sendo que, na maioria das vezes, o masculino tem mais valor e isso leva a uma distribuição desigual de poder autoridade e prestígio entre as pessoas a partir de ser sexo. As relações de gênero são relações de poder.
As relações de gênero fazem com que alguns tenham mais poder sobre outros, sejam considerados mais importantes e mais respeitados na sociedade.Além disso, algumas pessoas podem ter mais oportunidades de se desenvolver do que outras.
A identidade de gênero constrói-se ao longo da vida criando-se a partir de valores e normas que nossa comunidade apresenta par o homem e para a mulher. As crianças copiam as ações do pai ou da mãe aproximando-se do que lhe parece mais semelhante.
Muitos são prejudicados com as relações desiguais de gênero. È visível que as mulheres são as grandes oprimidas e discriminadas pela forma que são organizadas essas relações. Entretanto os homens também sofrem mito com isso.Tudo relacionado com sensibilidade, afeto e carinho é reservado a mulher. A obrigatoriedade de ser duro, insensível, forte, não chorar dificulta a vida e o desenvolvimento pessoal e coletivo do homem.
Do ponto de vista das relações de trabalho a questão de gênero também tem enorme influência visto que quanto mais desiguais são as relações de gênero, maior a desigualdade na divisão de trabalho. O preço da mão de obra vai variar conforme seja um homem ou mulher que faça o serviço. O trabalho da mulher é sempre o mais desvalorizado e elas recebem salários mais baixos quase que sempre; sem falar que possuem uma dupla jornada de trabalho, fora e dentro de casa. Cabe aqui destacar que o serviço de casa e tão desvalorizado que para muitas pessoas não é considerado sequer um trabalho.
Enfim, esse processo construído em tantos séculos por normas, valores e imposições de instituições (família, trabalho, política, escola, igreja, justiça) vai formar a nossa subjetividade. Esta é a responsável pelo que nos difere do outro. È o que pensamos, sentimos, odiamos ou amamos enfim é o que temos dentro de nós. Daí a extrema dificuldade de se transformar isso “de uma hora pra outra”. O processo é lento. Que deve começar por discussões acerca do tema em escolas, na universidade, em grupos comunitários.
Pensar que a solução é a inversão de papéis onde homem passará a ser o dominado e a mulher a dominadora ou acabar com os homens e as mulheres produzindo “um sexo só” não constitui soluções efetivas. Diferenças de corpos (sexuais, raciais ou etárias) não devem justificas desigualdades, discriminação e injustiças.
IVANBERG FONTOURA
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